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terça-feira, 5 de junho de 2012

Acervo do Museu D’Orsay chega à São Paulo em julho

Novidade fresquinha e das boas!
O Musée d'Orsay, tradicional mudeu parisiense que contém em seu acervo uma diversidade de obras renomadas criadas entre anos 1848 a 1914, tera uma uma mostra na cidade de São Paulo em julho desse ano.

O famoso relogio do Musée d'Orsay, antigamente uma estação de ferroviaria parisiense


Para os curiosos, o acervo de obras do museu, aberto em 9 de dezembro de 1986, foi formado a partir da coleção nacional de três entidades:
  • Musée du Louvre, para as obras de artistas nascidos apos 1820
  • Musée du Jeu de Paume, o qual desde 1947 é tido como referência para obras impressionistas
  • E finalmente do National Museum of Modern Art, o qual apos mudança para o Centre Georges Pompidou dedicou-se à obras de artistas nascidos apos 1870 
Como ja explicado para vocês no post sobre Giverny, o impressionismo surgiu como uma nova forma de interpretar o ludico universo dos pintores, agora mais bucolicos e humanistas do que nunca. A luz e o movimento era o que realmente importava para estes artistas, que romperam com o padrão estético do Realismo. O marco inicial do movimento artistico se deu com a obra “Impressão, nascer do sol” (1872), de Claude Monet, que esta exposta no Musée Marmottan Monet.
Apesar de ter um museu dedicado quase que inteiramente para suas obras, Claude Monet também esta muito presente nas pinturas do acervo do Musée d'Orsay e entre os principais artistas do estilo artístico estão, além de Monet, Edouard Manet, Edgar Degas, Auguste Renoir, Camille Pissarro e Van Gogh.

Por isso mesmo, celebrando esses nomes emblematicos e um escola artistica marcante, o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo realizara em julho uma mostra representativa sobre o tema.

Para não perder!

Em breve mais informações...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O melhor crepe de Paris - Au P'tit Grec

Sabem quando bate AQUELA fome e tudo o que queremos é comer bem, bastante e barato?
Pois então, comer fora de casa aqui em Paris nem sempre é barato - e só para fazer um adendo, no que diz respeito ao item "bastante", para mim ainda é lenda que comida francesa é mal servida.
Então se você está passeando por aqui e o bolso tem livre acesso, Paris historicamente tem diversas opções de restaurantes maravilhosos. Mas se o seu caso é como o meu, que está com o bolso de estudante e prefere encontrar uma opção mais em conta, o Au P'tit Grec será a sua segunda casa para um crepe salgado - ou como dizem aqui, galette - ou doce DAQUELES, bem servidos AND bon marché.




O lugar é pequenininho, apertado do tipo Black Dog de 10 anos atrás (lembram, quando ainda era um corredorzinho que vendia o melhor cachorro quente de SP??), mas mais bem organizado. Banquinhos  e mesinhas de parede parecem deixar o ambiente ainda mais descontraído e amigável, já que se você resolve comer por lá, irá dividir a mesa com outros clientes. Mas se estiver lotado, o melhor é comer de pé mesmo, na rua, enquanto vê o movimento. O atendimento em todas as línguas, já que o chef consegue se comunicar até em grego, e com bom-humor - o que é realmente um diferencial quando se trata da França - arremata o lugar como um dos meus preferidos de Paris e sim, é onde levo TODOS que vem me visitar depois daquele dia de bate-perna exaustivo. Podem acreditar, fecha com chave de ouro.


  
Os preços variam muito de acordo com o seu pedido, mas não ultrapassam 6E se você for um ser-humano normal. Digo isso pois nunca presenciei a cena de alguém conseguir comer dois crepes salgados consecutivamente. O bichinho é realmente bem servido, mas se você conseguir fazer tal feito, mande fotos que publico aqui!
Brincadeiras à parte, o crepe é de respeito e você pode escolher seus ingredientes dentre uma boa gama de opções, incluindo desde o básico queijo emmental (que é algo normal aqui na França, ao invés dos nossos mussarela e parmesão) até batatas e ovo.
O mais tradicional é o de queijo, presunto e ovo, mas vocês podem arriscar nas opções sugeridas de olhos fechados. Eu mesma peço geralmente o Galette du Chef, que vem com emmental, salada, tomate, presunto italiano e... não lembro mais! O ponto é: sabor a não mais poder, feito ali na sua frente.









As opções de crepe doce também são uma tentação! Mesmo euzinha não sendo muito fã de doces (sim, podem xingar, mas é a verdade) as vezes caio na perdição de comer um de chocolate e laranja, ou ainda nutella e banana. Meudeusdocéuquecoisaboa!

Obs.: Os crepes tradicionais de Paris não são como esses, que se come com a mão. Os tradicionais mesmo são servidos em pratos, não vem com muito recheio e como envolvem um custo fixo maior (prato + garçom + mesas..........), são realmente mais caros. Por isso, se você é turista ou estudante, continuo recomendando o Au P'tit Grec, pois você nunca vai esquecer o melhor crepe de Paris, mesmo que não seja O tradicional.

Fica a dica meus amores: lugar bacaninha, público diversificado, atendimento nota 10 e o melhor custo benefício da história! En plus, localização boa para turistas que querem conhecer o Quartier Latin, já que fica na badalada Rue Mouffetard da mesma região.



Mais informações:
Não há um site oficial, como a maior parte dos "bons achados"
Funcionamento todos os dias do ano, exceto 1 de maio e 24, 25 e 31 de dezembro
Horário: 10h-1h (confirmarei para vocês)
Endereço: 66, Rue Mouffetard 75005 Paris
Acesso: Metro linha 7, estações Place Monge ou Censier-Daubenton

domingo, 29 de abril de 2012

Exposição Louis Vuitton & Marc Jacobs no Musée des Arts Décoratifs

Meus amores! Hoje fui em uma exposição mais do que interessante e resolvi estrear os tópicos culturais do Le Printemps com uma rápida dica para quem estiver por aqui ou vier à Paris até setembro.

A exposição Louis Vuitton & Marc Jacobs aborda a trajetória da tradicional loja de luxo de bolsas, malas e alta costura desde a sua criação pelo próprio Vuitton até atualmente, tendo Marc Jacobs como  diretor criativo desde  1998. A exposição tem um fluxo muito interessante para apresentar a história da marca e sua criação, criando um paralelo entre a vida e trabalho de seu fundador Louis Vuitton e Jacobs, com um forte discurso de que ambos conseguiram inovar e se sobressair em sua época - LV com o início da industrialização e MJ com a globalização.

No primeiro andar, a trajetória de LV é acompanhada da exposição de diversas malas e baús, objetos que deram origem às futuras criações de suas bolsas, e também de explicações, embora superficiais, sobre o seu diferencial maior : para quem não sabe, as bolsas da LV não são feitas de couro, mas em um tecido revestido por um material impermeável, patenteado pela marca. O vestuário da época também é exposto e realmente bem interessante, pois essa parte esta bem explicada.




Já no segundo andar podemos acompanhar a mente criativa de MJ: uma infinidade de trechos de vídeos, filmes, clipes são expostos logo no fim da escada e já passa a idéia criativa que bombardeia a mente do diretor criativo da marca. 



 
A trajetória do estilista também é exposta de forma criativa e impecável, o que acaba satisfazendo os olhos, apesar da falta de conteúdo explicativo. Suas coleções de alta costura também são expostas em partes, muito bem organizadas e chamativas. Colírio para os olhos de uma fashion lover, fato.









Com certeza devo dizer que valeu a visita. Conseguir entender um pouco mais sobre a trajetória de uma das marcas do mundo da moda mais amada mundialmente sempre será interessante no meu ponto de vista!

Mais informações no site oficial da exposição, aqui, com versão nas línguas francesa e inglesa.

Les Arts Décoratifs - Mode et textile
Endereço: 107, Rue de Rivoli - 75001 - Paris
Acesso: Metrô linha 1, estação Palais Royal Musée du Louvre ou Tuileries
Tel: +33 (0)1 44 55 57 50

Horários: de terça à domingo, das 11h às 18h. Último ticket vendido às 17:30h.
Às quintas, sessão noturna até 21h. Último ticket vendido às 20:30h.
Fechado às segundas.
Tarifas: 9,50 euros inteira / 8 euros reduzida / gratuito para menores de 26 anos.

sábado, 28 de abril de 2012

Cursos de culinária em Paris!

Que saudade que eu fico de postar aqui no blog! Uma semaninha e meus dedos já estão eufóricos querendo escrever mais e mais dicas pra vocês, curiosos de plantão!

Pois então minha gente, hoje quero muito compartilhar com vocês umas das experiências culinárias que tive aqui em Paris. Ano passado, quando estava vindo pra cá, minha mãe - que adora essas idéias de receitas locais e originais - me falou tanto pra fazer um curso de culinária que fiquei com a ideia na cabeça.

A França realmente faz parte do pódio Michelin, com vários dos melhores restaurantes 3 estrelas do respeitável Guia Michelin. Em questão de números, o país dos queijos só perde para o Japão em quantidade de restaurantes top-estrelados, ficando com o segundo lugar: 23 contra os 32 endereços premiados do Japão.
Não apenas por isso, mas também por sua tradição culinária de dar água na boca, o país é reconhecido como um polo da arte gastronômica e tem uma das melhores escolas de gastronomia exatamente aqui, em Paris.

Le Cordon Bleu é uma tradicional escola francesa, com um renome mundial e que tem cursos de arte culinária de todos os tipos, variando de acordo com os objetivos do aluno e tempo disponível. O único problema é que devido a essa referência no mundo gastronômico, seus cursos longos costumam envolver um grande investimento. Pensando nisso e na minha vontade infinita de fazer um curso de cozinha mesmo que básico, fui buscar mais informações e descobri que o Le Cordon Bleu oferece cursos rápidos e pas trop chers para estudantes e amantes da culinária, como eu. Ok, vale fazer a observação aqui que o pas cher nesse caso não é tão barato para quem desconhece o renome da escola de cozinha mais famosa do mundo: os cursos saem em média 100E, mas são a realização de um sonho para aqueles que conhecem o Le Cordon Bleu e sua tradição de mais de 500 anos.
Vale conferir os ateliers oferecidos e a agenda é anual, o que facilita a vida do viajante ou estudante aqui para se programar. Custos e outras informações aqui.




Para aqueles que preferem algo mais diferente e menos profissional, sem sair do nível de culinária francesa, que é top, seguem algumas outras opções que já acompanhei de pertinho também:
A LeNôtre, sobre a qual já falamos aqui no blog no post "O melhor croissant de Paris" oferece cursos de culinária francesa em geral e ainda cursos de especialidades de pâtisserie, que são realmente o seu forte. Fiz um atelier de croissants e pains au chocolat que foi uma maravilha! Chefs muito didáticos e com muita técnica. Valeu o investimento de 135E.


Fachada do Pavillon Élysée da Pâtisserie LeNôtre


Atelier Croissant et Pain au Chocolat

Enrolando a massa dos últimos croissants

Chef Patrick Jeandeau explicando como fazer brioches


O Atelier des Sens oferece uma gama imensa de cursos em Paris e tem opções inclusive de enologia, cosméticos naturais e cozinha bio. Realmente vale a pena conferir.





Já para aqueles que querem aprender uma receita mais caseira e tradicional francesa, o Papy Bio oferece cursos de macaron, aquele tradicional doce francês que comemos nos casamentos mais refinados... lembraram? O atelier fica em Paris, 20ème arrondissement.





Pois bem, boas opções para amantes da boa cozinha francesa!
Se tiver dúvidas sobre o melhor curso para você, fique a vontade para entrar em contato comigo! Realmente são muitas opções dignas de uma semana dedicada à arte gourmet, mas para turistas sem tempo, o melhor é focar em uma única opção.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Queijos e vinhos... Hummmmm!

Olá minhas pelúcias! Post novo para uma leitura de dar água na boca para o fim de semana!
Não estou conseguindo mandar posts diários sobre todos os milhares de assuntos que Paris tem para contar pra vocês, mas pouco a pouco vou contando aquela rotina diferente de uma estudante de Paris, ok?
Pois então: queijos e vinhos. Tem coisa mais francesa?

Pessoal, é absurda a variedade de tipos e sabores dos queijos aqui na França. Nem adianta tentar imaginar, é algo realmente imenso. Segundo um provérbio francês "Un fromage par jour de l'année", que significa "Um queijo por dia do ano", ou cada coisa no seu tempo, a França produzia 300 a 400 tipos de queijos tradicionalmente. Mas esse número não para, minha gente! É impressionante como cada dia que entro em uma fromagerie nova, vejo um novo tipo desse querido e amado alimento francês e fico louquinha pra comprar. Hoje temos aqui uma variedade que gira em torno de mil tipos de queijos. Não se sabe ao certo, pois a fabricação desses derivados de leite aqui é bem livre e longe de regulamentações alimentares mais restritas como nos EUA, o queijo corre solto.


Fromagerie em Montmartre

A fabricação desses derivados de leite pode ser artesanal, até do fundo de quintal, ou ainda industrializada, como faz a famosa produtora de derivados de leite, a marca "Président". Esse, entre outros motivos menos óbvios torna a França o país de maior exportação de queijos no mundo. Aqui consumimos uma média de 24 Kg de queijo por ano, por pessoa, o que nos deixa atrás somente dos consumidores gregos, que batem o recorde de consumo com 27,3 Kg. Pois é, e o Brasil não chega muito atrás não: somos o sétimo país de maior produção de queijos no mundo.

Sobre a produção? Vamos lá, que o Le Printemps também é cultura! A produção do queijo é feita a partir de um processo simples e cuja duração varia de acordo com o tipo de queijo. Coisa simples pra vocês não me baterem, embora seja super interessante o processo: coagulação, onde é adicionada uma substância acidificante ao leite, o que separará o soro da fase sólida do mesmo. É aqui que são adicionadas as leveduras, para quem já ouviu falar. Segunda parte: processamento (que varia também de acordo com o tipo de queijo), onde o resultado da coagulação, ou seja, o coalho, vai ser tratado para dar o sabor, textura e suavidade do queijo. Aqui adiciona-se também o sal e todos os elementos que farão parte do queijo final. Terceira e última etapa: amadurecimento. É aqui que os queijos ganham  sabor mais intensificado e ganham seus bolorzinhos. Fácil e indolor não é? Pois é, e aqui na França há o adicional de que pode-se fabricar queijos com leite cru, ou seja, não pasteurizado. Mas como??? A pasteurização do leite garante isenção quase total de bactérias e outros microorganismos que possam estar por ali, no leite cru. O problema é que pasteurizar o leite muda algumas de suas características e como todo bom francês é bem detalhista, mudar uma característica no seu fromage tradicional e com receita herdada não rola. Por isso aqui é permitido produzir queijos com leite cru mesmo. Arriscado, mas pra quem come sashimi, o queijo é fichinha.

Prato de queijos, comum após as refeições, com um queijo de cabra, camembert e livarot (laranja)


Bom, agora que já falamos bastante sobre todo o background do nosso todo poderoso de hoje, hora de falar das compras! Adoro essa parte. Comprar queijos aqui na França pode ser confuso. Muita opção, variedade de preço, locais de venda... Qual escolher? Simples. Foque inicialmente no sabor que você prefere: suave, médio ou forte. Para queijos suaves, os que vem com a casquinha branca como o camembert, o brie, o carré bridel, são os recomendados. Textura cremosa por dentro com capinha mais dura. Maravilhosos e vão super bem com vinhos tintos mais leves e frutados, ou ainda um Merlot.
Sabor médio, vá direto nos queijos emmental, gruyère, gouda, alguns de cabra (como o mi chèvre)... Harmonizam muito bem com vinhos menos suaves e mais tânicos como o Shiraz, tintos da região de Rhône ou ainda um Carménère.
Sabor forte, aí temos uma gama bem grande também: fromages bleues, ou queijos azuis seguindo a tradução literal, que faz referência aos queijos roquefort e gorgonzola por causa da sua cor; queijos feitos com leite de cabra - aqui ditos como de chèvre , leite de ovelha - ou de brebis, etc. Estes últimos vão muito bem com vinhos mais fortes, tais como os carbenet sauvignons de Bordeaux ou ainda um vinho branco sucré, ou branco doce, tradicional da região de Sauternes principalmente.

Queijo brie Président

Queijo Gruyère


Tente procurar opções de queijo em feiras de legumes, em fromageries e evite os mercados. Nesses lugares, os produtores são os próprios donos da fromagerie e por isso mesmo você pode enocntrar uma variedade de queijos bem maior do que a simples que citei aqui. Mercado funciona para o viajante sem tempo, claro! Mas nada como experimentar um queijo de uma barraquinha de feira bem estranho. Chega a ser surpreendente como conseguimos obter um paladar totalmente inédito com um pedacinho tão pequeno de queijo.

Se tiverem dúvidas, me perguntem! Claro que não provei nem a metade de toda a infinidade de opções que existe aqui, mas uma boa parte já, então talvez possa ajudar na escolha.
Enjoy!